A intensificação sustentável de pastagens tem se consolidado como uma das principais estratégias para aumentar a produtividade da pecuária brasileira sem a necessidade de expansão de áreas. Quando planejada e executada de forma adequada, essa prática permite elevar a produção de forragem, aumentar a capacidade de suporte dos animais e melhorar a rentabilidade da atividade, conciliando ganhos econômicos e sustentabilidade.
Segundo o engenheiro agrônomo Hemython Nascimento, doutor em Zootecnia e gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da SBS Green Seeds, um dos principais desafios enfrentados pelos produtores é a falta de planejamento. “Muitas vezes, na busca por resultados rápidos, etapas importantes acabam sendo negligenciadas, comprometendo o desempenho do sistema como um todo”, explica.
O diagnóstico é o ponto de partida
Para obter sucesso na reforma de pastagens ou na implantação de novas áreas, o primeiro passo é escolher corretamente a espécie forrageira, utilizando sementes com elevada qualidade fisiológica e genética. Em seguida, é fundamental realizar um diagnóstico detalhado da propriedade para identificar o nível tecnológico atual e definir o grau de intensificação mais adequado.
Nem sempre é necessário intensificar toda a área produtiva. Estudos mostram que a intensificação eficiente de aproximadamente 30% da propriedade pode ser suficiente para dobrar a produção de forragem, ampliando significativamente a capacidade de suporte do sistema.
Outro aspecto essencial é o controle de plantas daninhas, que podem reduzir a disponibilidade de forragem e prejudicar a eficiência do pastejo. Paralelamente, a análise de solo permite identificar necessidades de correção da fertilidade, incluindo práticas como calagem e reposição de nutrientes, criando condições favoráveis para maior produção de biomassa e melhor capacidade de rebrota das forrageiras.
Estrutura e manejo fazem a diferença
Após a implantação adequada da pastagem e a correção do solo, a atenção deve se voltar à infraestrutura e ao manejo da propriedade. A organização de cercas, divisão de piquetes, posicionamento estratégico de cochos e a capacitação da equipe são fatores que contribuem diretamente para a eficiência do sistema.
Com uma estrutura adequada e uma equipe preparada, o produtor consegue adotar um manejo de pastejo mais eficiente, reduzindo desperdícios e aproveitando melhor a forragem produzida.
Nutrição e tecnologias para elevar o potencial produtivo
À medida que o sistema evolui, a adubação passa a desempenhar papel decisivo no aumento da produtividade. O manejo criterioso da adubação nitrogenada, aliado ao monitoramento de indicadores técnicos, pode proporcionar ganhos expressivos na produção de forragem.
Produtores que buscam alcançar níveis mais elevados de desempenho também podem incorporar tecnologias como irrigação, aumento das doses de fertilizantes, especialmente nitrogênio e potássio, além do uso de insumos biológicos e bioestimulantes. Essas ferramentas, quando utilizadas de forma planejada, contribuem para maximizar a produtividade mantendo o equilíbrio ambiental e econômico da atividade.
Sustentabilidade como base do crescimento
A busca por maior produtividade e lucratividade é uma realidade no campo. No entanto, especialistas reforçam que todo avanço deve estar sustentado por critérios técnicos, econômicos e ambientais. A intensificação sustentável de pastagens representa justamente essa combinação, permitindo que o produtor produza mais, utilize melhor os recursos disponíveis e construa sistemas pecuários mais resilientes e competitivos para o futuro.
